Com menos de seis meses de governo, Bolsonaro enfrenta primeira onda de protestos

Manifestações contra o corte de verbas da Educação no Centro de João Pessoa/PB Foto: Tiago Bernardino

Em diversas cidades brasileiras, estudantes, trabalhadores da educação e sindicalistas se mobilizam  hoje (15) para protestar contra o bloqueio de verbas das universidades públicas e de institutos federais. Convocados por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), os atos também criticam a possibilidade de extinção da vinculação constitucional que assegura recursos para o setor e a proposta de reforma da Previdência.

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Em João Pessoa, o ato reuniu milhares de manifestantes que se concentraram em frente ao Colégiop Lyceu Paraibano, no Centro da Capital, a partir das 9h da manhã. Os manifestantes percorreram algumas ruas do Centro com o movimento terminando no Ponto de Cem Réis.

A estimativa da organização é que 30 mil pessoas participaram da manifestação. A organização informou ainda que o ato contou com estudantes, professores, sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos. A Polícia Militar informou que não vai divulgar números.

Às 14h, a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) promove uma audiência pública para discutir os cortes de verbas da Educação.

 

 

Protestos em Campina Grande

A concentração em Campina Grande foi às 7h, na Universidade Federal de Campina Grande. Os alunos se reuniram e seguiram pela rua Arrojado Lisboa, depois João Pessoa e seguiram para a Praça da Bandeira. Como não soube todo mundo na praça, o grupo voltou às ruas, passando pela Marechal Deodoro, Venâncio Neiva, voltando pela Maciel Pinheiro. Os manifestantes ainda ficaram em frente à Prefeitura, em protesto pelo apoio do prefeito Romero Rodrigues ao Governo Federal.

De acordo com os organizadores, o ato reuniu 20 mil pessoas e terminou por volta das 12h30. Participam professores e estudantes da UFCG, UEPB e IFPB, além de outros movimentos sociais.

Sertão paraibano

Também teve protesto no Sertão. Na cidade de Sousa, os manifestantes se concentraram em frente ao campus da Universidade Federal de Campina Grande, no Centro da cidade, às 7h30. O grupo seguiu para o Calçadão, onde acontece a manifestação. Segundo a organização, cerca de 3 mil pessoas participam do ato. A manifestação terminou por volta das 10h30.

Ao longo da manifestação, servidores públicos e estudantes entoaram palavras de ordem contra o bloqueio de verbas das instituições de ensino. PM e agentes de trânsito acompanharam a passeata. Participam ADUFCG, Sindicato dos Comerciários, Sindicato dos Professores do Município de Sousa, Sindicato dos Professores do Município de Vieirópolis, além de outros sindicatos, movimentos sociais e representantes dos estudantes.

Segundo a CNTE, há atos previstos nas 27 capitais brasileiras e em várias outras cidades do país.

 

Curitiba

Na capital paranaense, manifestantes que partiram de diferentes pontos da cidade se concentram em frente à Universidade Federal do Paraná, na região central da cidade. Está prevista uma caminhada até o Centro Cívico, a cerca de 2 quilômetros de distância. Dali, o grupo planeja seguir para a sede da prefeitura antes de se dirigir à Assembleia Legislativa, onde representantes do grupo devem se reunir com deputados estaduais. Até as 11h, a Polícia Militar (PM) não tinha calculado o número de manifestantes.

Salvador

A mobilização já lotava o Largo do Campo Grande, no centro, quando, perto das 10h, estudantes, professores, sindicalistas e apoiadores da manifestação saíram em caminhada com destino à Praça Castro Alves, distante cerca de 1,5 quilômetro. A Polícia Militar acompanha a manifestação a fim de garantir a segurança das pessoas, mas não divulgará o número de participantes.

Brasília

Os manifestantes se concentraram em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios. Dali, seguiram em direção ao Congresso Nacional, portando faixas e cartazes contra o contingenciamento de 3,4% das chamadas despesas discricionárias, ou seja, aquelas não obrigatórias, que o governo pode ou não executar, e que incluem despesas de custeio e investimento. Do alto do carro de som que acompanha a marcha, manifestantes discursam em favor de mais investimentos nas universidades públicas e sobre o risco de o corte de verbas inviabilizar as pesquisas desenvolvidas nos campus acadêmicos. Segundo cálculos da PM, às 11h, o ato reunia cerca de 2 mil pessoas.

Segundo a UNE, o contingenciamento coloca em risco a manutenção e a qualidade das universidades públicas, prejudicando seus atuais alunos e jovens que cursam o ensino médio e veem ameaçada a possibilidade de ingresso no ensino superior.

MEC

O Ministério da Educação (MEC) garante que o bloqueio de recursos se deve a restrições orçamentárias impostas a toda a administração pública federal em função da atual crise financeira e da baixa arrecadação dos cofres públicos. Segundo o MEC, o bloqueio preventivo atingiu apenas 3,4% das verbas discricionárias das universidades federais, cujo orçamento para este ano totaliza R$ 49,6 bilhões. Deste total, segundo o ministério, 85,34% (ou R$ 42,3 bilhões) são despesas obrigatórias com pessoal (pagamento de salários para professores e demais servidores, bem como benefícios para inativos e pensionistas) e não podem ser contingenciadas.

De acordo com o ministério, 13,83% (ou R$ 6,9 bilhões) são despesas discricionárias e 0,83% (R$ 0,4 bilhão) diz respeito àquelas para cumprimento de emendas parlamentares impositivas – já contingenciadas anteriormente pelo governo federal.

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